A palavra perdoar engloba duas outras: Perder e doar.
Perder o que? Perder o ódio que alimenta a violência, a mágoa que envenena a vida, perder o sofrimento, perder a possibilidade de vingar-se e, assim, alimentar o ciclo da violência.
Doar o que? Dá-nos a possibilidade de nos libertar do sofrimento e das doenças decorrentes de sofrimentos indigestos como úlcera, gastrite, de ser livre no agir e no caminhar sem o peso do ressentimento e sem a amargura do vitimizado.
Guardar magoa é como quem toma veneno e espera que o inimigo morra.
Perdoar não é esquecer e, sim, compreender que não se pode crescer ficando preso ao sofrimento.
Muitas vezes a dificuldade de perdoar está relacionada ao medo de perder a única coisa concreta que se tem: o sofrimento.
Para sorrir precisamos ter a boca vazia. Lembra-nos o adágio popular: “O cachorro que não abandona seu osso, não pode se nutrir.”
Quando dou a liberdade ao outro de seguir seu caminho sem ressentimentos, me dou também a possibilidade de ser livre de emoções que me paralisam, me sufocam e tornam o caminhar ofegante, sofrido e doloroso.
E o que recebo? Recebo a chance de prosseguir o meu caminho de vida sem o peso do fardo incomodo da magoa que torna a vida amarga.
Se a magoa nos paralisa, torna o fardo da vida pesado, o perdão abre a possibilidade de nos libertar de tudo que nos desvia do caminho de uma vida mais fraterna e serena.
SÓ SE CONDENA O QUE NÃO SE COMPREENDE.
E o que não é compreendido? Que o outro não é culpado pela nossa infelicidade e, sim, a imagem que trazemos do outro dentro de nós. Quando o outro se torna tela de projeção de nossas fantasias, ele não existe mais enquanto ser distinto de mim, enquanto alteridade, mas como depositário de minhas expectativas. E ai dele (a) se não corresponder!
A magoa e a vingança são a expressão da inconsciência do nosso equívoco. Portanto, só perdoa quem tem consciência desse equivoco. EU TE PERDOO POR DESCOBRIR QUE VOCE NÃO PODERIA CORRESPONDER ÀS MINHAS EXPECTATIVAS.
Não foi você que me decepcionou, me frustrou e, sim, eu que me equivoquei. Quando desfaço o equivoco o outro emerge como sujeito livre e não mais como objeto prisioneiro de projeção de minhas carências e fantasias. O perdão torna-se bussola do meu caminhar consciente, atento aos equívocos tão presentes em nossos relacionamentos.
Perdoar o outro abre também a possibilidade de ser perdoado pelo outro que participou desse equivoco. Ëu te perdôo porque compreendi que todo conflito foi gerado inconscientemente pelos “personagens que representamos” e que impossibilitou um relacionamento verdadeiro de sujeito a sujeito”. “Eu não fui eu e você não foi você”. Fomos interlocutores possuídos por personagens e expectativas geradas por nossas carências.
Neste sentido, entendemos a célebre frase que Cristo proferiu quando estava sendo pregado na cruz: “Pai, perdoai porque não sabem o que fazem.
Cristo percebeu, na sua infinita sensibilidade de terapeuta, que todas as agressões dirigidas a Ele, não eram pelo que ele era em si, mas pelo que ele representava.
Cristo era objeto de projeção de todos os pecados da humanidade e, por ter compreendido isso, aceitou a morte para poder libertar o homem de seus pecados.
Somente quando o conflito surge, é que aparecem estas projeções e podemos, então, CORRIGIR o equivoco.
SOMENTE ASSIM, UM NOVO RELACIONAMENTO DIFERENTE, VERDADEIRO, PODERÁ NASCER.
(Adalberto Barreto)
Bom recomeço!
Luka Lim
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