Mari abre a porta e sobe as escadas.
É feriado prolongado e a cidade está em silêncio.
Mari consegue ouvir seu coração bater e olha para seu corpo com estranheza.
Põe a mão sobre o peito e sente as batidas... Dum, tac; dum,tac; dum,tac.
Olha para o espelho à sua frente e se vê com a alma nua e sem defesa;
Está diante dela mesma.
Sem máscara e sem apetrecho, Mari pode ouvir a voz... A voz interior.
O interior lhe conta que esteve muito cansado e que andou angustiado,
Que chorou sem lágrimas, que vibrou com as conquistas;
Que se alegrou com os amigos e os momentos em família.
Conta também que desfruta da quietude;
Que recupera suas forças na segurança e na paz.
Que admira sua beleza pura,
Em vez de vê-la vestida dos personagens que faz.
Mari pergunta por que não se ouve mais vezes,
Ao invés de abafar sua voz e o ruído tolir?
Ela diante do espelho que em reflexo sorri;
Conclui: Saberá ouvir ao outro, aquele que antes souber se ouvir.
De Luka Lim
Com carinho
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