Chega uma cliente ansiosa e a recepcionista lhe dispensa atenção.
Depois vem à minha sala e diz:
- Marta está aqui e não está nada bem.
- Hum, está aqui; já vou falar com ela.
Concluo o que estava fazendo, e vou até a recepção.
- Oi Marta como vai? Passe aqui na sala para conversarmos um pouco.
Seus olhos fitam os meus e me acompanha até a sala. Percebo sua aflição nos gestos sem palavras.
- Em que posso ajudar? Pergunto deixando a porta da comunicação aberta.
- Estou muito mal. Sinto dor aqui no peito – responde apontando para o lado direito do peito.
- Sabe de algum problema anterior de saúde? – lhe pergunto.
- Não tinha nada e minha pressão está normal.
- O que você pensa que pode estar acontecendo? Estimulo-a que continue falando.
- Estou nervosa, passando por momentos muito difíceis. – ela faz uma pausa e continua - Estou me separando.
- Isto é o que você queria? – pergunto para compreender o contexto.
Marta se engasgou se atrapalhou nas palavras e me disse.
- Nnnão, e o dinheiro?
Percebi que o fundo era mais embaixo.
Dizem que num relacionamento, seja ele qual for (marido e mulher, pais e filhos, amigos), não existe mocinho e nem bandido.
Existem pessoas que fazem trocas, que se beneficiam do que o outro tem para oferecer. O sádico só existe porque o masoquista permite. Só há rei porque há súditos.
Quem dá poder ao outro sou eu. E ele vai ser do tamanho que eu permitir que seja.
Quanto mais pena tenho de mim e mais coitadinho me sinto, abro a porta para ser humilhado e manipulado.
Se houve conflito, é mais sábio procurar ver qual é a parte que me compete.
Identificando, posso tentar modificar. Modificar o outro? Não, modificar a mim mesmo. É difícil, sim eu sei. Mas é possível.
As pessoas nos tratam como nós as ensinamos a nos tratar.
FELIZ SÁBADO!!!!
Luka Lim.
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